segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

divã na veia



quantas descobertas

musicais

íntimas

emocionais.



2017 me pôs nua

deixou-me comigo

sozinha

no centro da lua.


2017 me ofereceu um espelho

mostrou-me verdades

tão duras

quanto cruas

isentas de vaidade.


custou-me um ano

começar o processo

de digerir tantos panos.


em 2017 só (brevivi)

tateando nos rastros

nos quais me perdi.


40 anos de cegueira

desvendada no divã

onde deitarei

dias após dia

até ficar sã.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

confidência

na sexta, 
no show da marisa
te vi de longe.

passei bem pertinho
quase ao teu lado
mas como te cabe
estavas (bem?)
acompanhado.

não me perturba
tua impossibilidade
compõe ela este quadro
de platonismo pintado.

às vezes
contudo
te tornas concreto
és pano de fundo
do meu cinema deserto.


invades minha tela
(e por ti morro)
és tu a fantasia
quando minhas mãos
visitam meu corpo.


domingo, 6 de agosto de 2017

lua cheia

passos renovados da rotina
hoje me levam
lua acima.

lua subindo cheia
impele meus suspiros
arrebata minhas teias.

lua que desvenda lentamente
as últimas camadas
da minha semente.

cultivada nas cinzas
de uma esperança perdida.

hoje com a lua
sai broto novinho
curioso pelo sol
despontando de fininho
espiada de olho só.

chamado de vida
que pede um novo amor
nova pele
em verdade esculpida.

um amor novinho em folha
que antes de tudo
me cheira
e me olha.

um amor pro fim da tarde
que termina em silêncio
sem nenhum alarde.

um amor de lua cheia
que antes de me ver nua
me ganha
e me aceita.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

julho revirado



esse julho revirado

deixo pra trás

junto das armas

ressentimento mordaz.


desisto das pedras

como fontes de vida

tratei de vê-las qual são:

duras e secas

(contudo)

degraus na subida.


só há um confronto:

comigo

e com as minhas feridas.


esse julho revirado

símbolo dos dias

de tormenta e fracasso.


esse julho revirado

que é também uma chance

de reinventar os meus laços.


e porque é julho procuro

cruzar a ponte

entre o que sei

e o que abafo.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

uma flor no fim do dia

que toda essa ansiedade

que pula em meu peito

se converta em deleite

criatividade sem freio.


que a cada vilipêndio

a vida me mande um beijo.


que cada pedrada

deixe sua marca

como lembrete

como memória:

espírito que se refaz

e reinventa sua história.

 

que cada infortúnio

faça escola

me aponte o futuro.

 

que cada promessa ferida

não me deixe esquecer

de regar as cumpridas.

 

porque em cada hospício deserto

surgem novos 

e preciosos afetos.

 


porque do caos

sempre brota amor

porque pra cada dia sofrido

te espera no fim uma flor.




quinta-feira, 25 de maio de 2017

RP

não é de hoje
que te admiro
às vezes de perto
mas sempre de longe.

agora mensal
meu suspiro por ti
em meio a tanta gente
meu olho sorri.

brilho e me aqueço
no calor da tua luz
na dignidade do teu discurso
na bondade que te conduz.

aquela camisa branquinha
eu queria tirar
liberar teu pescoço
e depois te cheirar.

fantasio à distância
teu gosto 
teu beijo
tua frequência.

nisso tudo
não estou só
teu desejo é palpável
estômago em nó.
 
por ora calculo
quando virás

porque mesmo os tropeços
das tuas palavras
me fazem voar.

 


quinta-feira, 6 de abril de 2017

seis de abril

a par de tantos indícios
espero que venhas
que a mudança tenha início.

apesar das evidências
tão claras
e sorrateiras
te quero comigo
nos meus termos
tão simples
e antigos.

contra tantas reticências
te busco.

imagino-me talvez
bem mais do que sou
por acreditar que podia
ter contigo meu show.

05 de abril

sim, eu quero limite
traçar contornos
riscar com grafite.

quero mãos dadas
e mais
quero conforto
quero almofada.

sim, preciso de certezas
preciso de luz
constância
e clareza.

sim, sou humana
quero laços bem fortes
quero amor também
fora da cama.

02.04.2017

agora é hora
de romper a fantasia
silenciar minha casa
deixá-la vazia.

juntar as peças
espalhadas no tabuleiro
entender minhas jogadas
meus caminhos estreitos.

agora é hora
de deixar que o descanso
fermente os pesares
quebre os encantos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

24 horas

24 horas
é o tempo que levo
pra deixar a dor entrar.

sabia eu
que era líquida essa paixão
desde o começo
me vazando pelas mãos.

sempre me escapando
fugindo
me contornando.

tento bestamente
achar outras peles
enganar minha mente.

não consigo.

quero primeiro
limpar meu ouvido
afiar minha antena
e escutar minha voz
que não pára de gritar:
contigo não fico.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

lúcida

tentei eu
te carregar com leveza
equilibrar meu desejo
na tua incerteza.

achei que seria tu

só uma noite na fogueira.

então te chamei

meio curiosa
meio não sei

essa tua escuridão

que tanto me puxa
quanto me põe em fuga.

essa tua lascívia

mistura de hormônio e doçura
enche de saliva minha boca
e compromete minha cura.

investigo teus sintomas

buscando entender
que problema é o teu

mas minha obsessão

é também lucidez
e sei muito bem
que a louca sou eu.


sábado, 14 de janeiro de 2017

negro amor

não quero em vai e vem
teu coração.

esse movimento 
quero na cama

te beijando
e arrastando o colchão.

porque contigo
é puro deleite:
tem saliva e risadas
mostrando os dentes.

mas quando não
deixo-te solto
não aperto botão.

só quero que voltes
dia sim
dia não.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

sobremesa


enquanto tu andas
distraída pela rua
ouvindo música que nem é a tua
caldeirão ferve:
bactérias
surpresas
chuva nas férias

a vida é descontrole, baby

e tu ficas em casa
recuperando corpo e alma
te afogando em água
mas desejando uísque
ou um abraço distante
daquele que disse

não vem cardápio pra vida
tu pede a entrada
e te dão logo a saída

não tem reserva de mesa:
então acha um lugar 
e se te servirem
come a sobremesa.