sexta-feira, 11 de abril de 2008

anjo amigo

Há dias de pouco
abandono
Carência e até
Maldade.
Mal que um dia acaba
Pelas mãos de um sábio
Amigo
Que, por nada,
te abraça.
Bendito seja ele
Anjo da guarda
Que estende o tapete
Enquanto tu passas.

terça-feira, 8 de abril de 2008

chico & stones

Uma delícia é
Estar inspirada.
Ver em cada fato
Uma nova charada.
Viver frente
E verso.
Dar espaço pro caminho
Pro frio
E pro mormaço.
Ouvir Chico
E talvez Stones.
No mesmo dia
Mudando nomes.
Revirando a casa
Matando a fome.

imoral

Não nego o que sinto
Sou viciada
Imoral
Tarada.
Aceito que ganho
E dou o que quero.
Não tenho paciência
com lero-lero.
Repressão eu dispenso
Qualquer forma de molde,
Me deixa em suspenso.
Contradição é vida
Em movimento.
Sadia
Bandida.

domingo, 6 de abril de 2008

fada madrinha

Mil passos
Corridos.
Apressados
Foram outrora
Razão de fracasso.
Corria muito.
Sentia cansaço
De olhar
Para todos os lados.
Perdida
Longe de mim
Senti
E segui
O meu coração.
Não tardou a chegar:
Lucidez!
Fada madrinha
Varinha brilhante
Mostra-me sempre
A melhor direção.

padrão

vou me espremendo
busco um lugar
meio apertada
na multidão.
chego afobada
e vejo:
loiras em bando
em um esquadrão.
lindas e magras
de salto agulha
só conhecem uma:
beleza padrão.
nada as difere
cheias de bronze
igual tom de pele.
tomam os prédios
por passarela.
se a moda mandar
usam até
roupa amarela.
que triste!
total desespero
seguir todo dia
o mesmo modelo.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

FORO CENTRAL

Enorme é a espera:
perde-se a hora.
Gente que passa
anda apressada
de um lado pro outro
remoendo suas mágoas
desfilando mau gosto.
Vida suspensas
digerindo sentenças.
Prazos, pedidos,
Recursos sem fim.
Velhinhos morrendo:
Longa é a demora.
Urgências são pra já,
Pra agora.
Caos instaurado
Gente sofrendo:
Com a falta de tudo.
E a poeira crescendo.
Sufoco mil lágrimas
Confesso.
Acesso à justiça?
Um lento processo.

terça-feira, 1 de abril de 2008

social

Há necessidades
E há direitos.
Descumpridos,
Violados:
Estreitos.
Dependentes e carentes
Vivem à margem.
Absoluta carência,
Dolorosa insuficiência,
Não vêem atendidas
Suas mais básicas urgências.
Sem teto
E sem chão,
Choram todo dia,
Essa falta de pão.