segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

fim do dia

Sempre fica algum papel pra jogar fora, uma pilha de coisas
Esperando pra ir embora. Resta sempre algum entulho, uma consulta pra marcar Um exame de rotina, lembrar aniversário. Segue a vida seu curso burocrático, fazendo de conta que tudo é importante, ou necessário. Esquece que ao final do dia, chegado o cansaço, quer-se apenas, o travesseiro e um abraço.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

fevereiro

O prédio aparenta ser velho
Mas adentrá-lo
É ser jogado na ternura
Dos braços macios
De quem não te aperta
Só segura.

É a chegada
De longa espera
Colhida como erva
Que se cuida
E preserva.

O incerto se apresenta
De camarote com vista
Pro sol que se despede
Com a chegada da visita.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

verão

Agora o verão
Me derrete o juízo
Aumenta fantasmas
Chama bandido.

Desejo o frio
Pra vestir meus casacos
Que ainda cheiram
A etiqueta e plástico.

Nada de couro:
Hoje
Visto até um sintético.
Não posso mais
Com conceito hermético.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

28 de janeiro de 2009.

Lendo “Um Spa na Índia”, da Luciana Tomasi ocorreu-me um pensamento quando ela comenta o baixo índice de divórcios na Índia, apesar do fato dos casamentos serem “arranjados”. Tentando entender como pode dar certo um casamento entre pessoas que não se conhecem, enxerguei um viés de possibilidade: dá certo porque as pessoas entram nessa nova vida sem expectativas. Certamente o que mata (ou sufoca) um casamento – e qualquer relação – são as milhares de expectativas que carregamos junto com os CDs e a escova de dentes. Não bastasse isso, jogamo-as nas mãos do parceiro, qual batata quente. Expectativas quanto a situações com as quais nem nós sabemos lidar! Esperamos maturidade porque somos carentes nesse ponto.
Então, num casamento entre desconhecidos, sem falsas promessas, sem memórias do namoro (que muitas vezes só servem pra frustrar o casamento) qualquer fato agradável será visto como lucro.
Naturalmente que esta é uma leitura romântica, mas afinada com a minha proposta particular de talvez encontrar beleza em tudo que eu acreditava ser feio.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

gameover

Precisei lançar luz
Na escada que estava escura
Escalando um a um
Os degraus de minha loucura.

Enxerguei a resposta
Do enigma que parecia
Quebra-cabeça com aposta.

O jogo acabou.
Se tinha alguma esperança,
Passou.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

simples cidade

Um novo bairro
Na mesma cidade
Abre os olhos
Pra toda alteridade.
Que mesmo adormecida
Um dia revela
A porta de partida.

Uma caminhada tranqüila
Sem pressa nem peso
É tudo que preciso
E quero.

Simplicidade:
Passagem pro futuro
Saída pro claro
Derrubada de muro.