sábado, 9 de janeiro de 2010

o mormaço de janeiro

tem que existir
outro mundo
com sabor
de sofá de casa.

reviver a infância
cumplicidade de memórias
ainda que diversas
as histórias.

aconhego em silêncio
um par na ausência.

nenhum pudor
identidade aberta
saudade do futuro.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

então o que vem agora?
já sei das águas que passarão
levando o hoje embora.
desejo mesmo que rolem
não em forma de lágrimas.
amanhã
ou qualquer outro dia
o espetáculo fulgurante que vejo presente
será mais uma memória recente.
o alívio que a verdade garante:
quanto tempo dura?

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Mais uma promessa de ano novo
Sempre aqueles votos
De que tudo mude
Que seja melhor.
Cada ano
É um brinde à esperança
Embora a gente saiba
Que não vai haver
tanta mudança.
Então desejo
Pra mim
e pra todo mundo
Que o ano que vem
preserve o que já temos de bom.
Que sejamos capazes de aceitar
o que já foi conquistado:
Prêmios, abraços, amigos, espaço.
Desejo que o novo ano
seja a continuidade
das coisas lindas que começamos.
E que o ano que vem
deixe uma brecha
pro novo
pro lugar que ele tem.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

dezembro / derradeiro

Dezembro derradeiro
Derramando finais
Fechando portas
Lendo sinais.

Dezembro que termina
Todo ano.

Dezembro é uma mina
De planos.

Dezembro não caminha
Só sabe voar.
Te empurra pra alegrias
Te obriga a pensar.

Meu dezembro começou
Insone e curioso
Pontuando linhas
Terminando minhas frases.

Dezembro rompendo
Me livrando de pesos
Treinando meus dedos.

Derradeiro dezembro
Jamais será esquecido
Pelos dias estranhos
Parecendo em dobro:
Um filme no ar.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Espiando no escuro
Idolatrando um ídolo
Agora partido.

Repasso planos
Sonhos rompidos.

Já sei das festas
O final.
Corpo embriagado
Refúgio moral.

Tem lugar na minha cama
Pro bem
E pro mal.

Dividida na espera:
O doce do amor
Ou a putaria sincera?

sábado, 14 de novembro de 2009

Então, o que me inspira?

Uma foto feliz
De um final de semana
Que criou raiz.
Pra depois apodrecer
E virar adubo
Pra outra planta crescer.

Pequenices do dia
Caminhadas distraída
Esquecendo do salto
Silenciando a batida.

Uma música antiga
Com cheiro de mofo.
Sabor de um tempo
Em que se abraçava o vento.

sábado, 7 de novembro de 2009

garoa não é tempestade

Garoa não é tempestade
Molha aos pouquinhos
Pela metade.

A mim encantam as chuvas fortes
Que em poucos minutos
Alagam a cidade.

Já sei o que sinto
Deve ter sido a idade.
Nada de nuvens
Cobrindo a vontade
Não me engano
Na minha saudade.

Se desvio o caminho
Dou meia volta
Não faço de conta
Que estava na rota.

Teatro, gosto no palco.
Não fujo de mim:
Sei onde arde.

Meu desejo é vivo
Pede um beijo
No fundo da alma
Com toda verdade
E nenhuma calma.