segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

a crise do ano

enfim começou
a crise anual
fevereiro chegando ao final
e eu imaginando
as malas no portal.

todo ano
quero ir embora
preciso me imaginar longe
vivendo meio anônima
provando novos sabores.

desejo vida nova
um país distante
novo começo
novos amantes.

por alguns dias
vivo o sonho
de ganhar outra vida
e sigo adiante.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

sem graça

ando tão sem graça
que nem paisagem pintada.
palhaço de circo
que esqueceu a piada.

o maremoto de antes
agora é marasmo.
sem mar
só asfalto.

pequenas euforias
ainda tão próximas
não me arrancam de casa
nem da camisola.

me sinto bem
acho até que
normal.

vou esperar
a vida só recomeça
depois do carnaval.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ewig

há músicas
que nunca cansam
sempre as mesmas
e sempre outras
alegram o ouvido
borbulham sentido
permanecem.

tempo passado
calçadas lavadas
de lágrimas e chuva
diversos destinos
novos caminhos
transitórios.

e a música segue.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

um silêncio raro
trânsito livre
apenas alguns poucos
(mas nem tão poucos)
rebeldes remando
contra ondas de calor.
ameaça de falta d'água
os que ficam
não merecem refresco
ousaram desobedecer
a triste obrigação
de sair
e achar diversão
em estradas lotadas
e praias forjadas
porto alegre se fecha
é carnaval.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Montevideo

pupilas encharcadas
pequenas luzinhas
reluzindo um céu artificial

pequenas mudanças
vida mais real

memórias de viagem
impregnadas na pele

hispano-lembranças
fervilhando no corpo

mate na Rambla
a lua mais bela
ruas encantadas
canções regaladas
Patrizia e risadas

malas programadas
pras próximas chamadas.

domingo, 17 de janeiro de 2010

dia da santa faxina
fiz como a cissa:
me livrei da sujeira
passei pano no vidro dos olhos.

clareou a vista
mudou a rotina.

passar a ferro
o passado.

remover com ácido
rugas de preocupação

deixar pra trás
sementes mofadas.

limpei tudinho:
espero visita.

sábado, 16 de janeiro de 2010

janeiros

sufocante começo
novos fantasmas
velhos janeiros.

transformar em palavra
sentimento que assola
medo do ridículo
de escrever caraminhola.

pesado janeiro
dias sem vento
esperando respostas
que já estão prontas.

janeiros malditos
levando o sono
perturbando a paz
me fazendo nascer.