quarta-feira, 9 de abril de 2014

acerto de contas II

na outra 
e também nessa vida
permaneci intacta

como aquela garrafa de vinho
que permanece fechada.

é preciso beber esse vínculo
lamber cada gota
remendando ponto a ponto
os cantos da boca.

nada ficando de fora
combustão de resíduos
enfim indo embora. 


terça-feira, 8 de abril de 2014

acerto de contas

como na música
também eu 
quero o nosso acerto de contas.

não tenho desejos
planos
segredos.

quero apenas retirar
qualquer migalha tua
que tenha ficado em meu lar.

não é mais o teu peito
a casa onde quero morar.

mas preciso resolver
essa coisa de outra vida
que ficou de novo nessa
inacabada e maldita.

em ti não quero mais pensar
não quero nem uma lembrança
nenhum átomo de te amar.

não quero a gota de chuva
de um céu por desabar.

 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Para a Luiza, nos seus dez anos.



Todo dia é mais um
Pra sentir esperança
Regar as plantinhas
Ouvir uma música
Imaginar novas danças.

Mas amanhã
É o mais lindo dos dias:
O dia em que nasceu
Luiza.

Há dez anos
Chorando no hospital
Conheci essa menina
Novinha pro mundo!
Pros braços da vida.

Luiza, agora
Faz um monte de perguntas
Dá risada
E me mostra:
Um monte de sabedoria
Simplicidade doce
Honestidade 
zombaria.

Luiza me cobra um poema
Pra brindar sua saída
Da fase de criança
Pro começo da corrida.

Deixo então
sem mais e com pressa
Umas poucas palavras
Do imenso amor que tenho a ela.


terça-feira, 11 de março de 2014

no meio

chegar no fim
ou guardar um pouquinho?

deixar migalhas
pra alguma fome no caminho.

ou esgotar tudinho
queimando tudo
até o toquinho?

fico no meio
escolho as duas.

vou dormir tarde
mas ainda com lua.



 

quarta-feira, 5 de março de 2014

até sexta

até sexta
vinho tinto
e van morrison
recomenda carolina
que sempre e sempre
me acolhe e anima.

instante nublado 
escurecendo a vista
tirando a energia
e o foco da pista.

tantos os fatos
pesos
encargos.

vida real demais
em pouco tempo
cruzando meu cais.

vai passar
todo trovão
tempestade
nuvens gigantes
em forma de animais.

depois eu desperto
querendo é mais.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

cenário

expectadora de mim
minha casa é cenário:

mulher vivendo sozinha.

quase sempre
tem companhia.

tem sapato
em todos os quartos.

capricho e carinhos
em fotos e quadros.

cama esticada
roupa na bancada.

tem de tudo:
tem dois lados.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

delírios insones de segunda-feira

é a velocidade do tempo

contínua e crescente

que acende o medo

de não fazer tudo

em uma única vida.

tudo parece tão pouco

ruído fraco

quase rouco.

se tudo é importante

nada mais importa.

mal-estar da corrida

olho embaçado

faixa de chegada rompida.

então me disse um amigo: 

"não há muito a fazer sob as estrelas".