quinta-feira, 6 de abril de 2017

05 de abril

sim, eu quero limite
traçar contornos
riscar com grafite.

quero mãos dadas
e mais
quero conforto
quero almofada.

sim, preciso de certezas
preciso de luz
constância
e clareza.

sim, sou humana
quero laços bem fortes
quero amor também
fora da cama.

02.04.2017

agora é hora
de romper a fantasia
silenciar minha casa
deixá-la vazia.

juntar as peças
espalhadas no tabuleiro
entender minhas jogadas
meus caminhos estreitos.

agora é hora
de deixar que o descanso
fermente os pesares
quebre os encantos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

24 horas

24 horas
é o tempo que levo
pra deixar a dor entrar.

sabia eu
que era líquida essa paixão
desde o começo
me vazando pelas mãos.

sempre me escapando
fugindo
me contornando.

tento bestamente
achar outras peles
enganar minha mente.

não consigo.

quero primeiro
limpar meu ouvido
afiar minha antena
e escutar minha voz
que não pára de gritar:
contigo não fico.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

lúcida

tentei eu
te carregar com leveza
equilibrar meu desejo
na tua incerteza.

achei que seria tu

só uma noite na fogueira.

então te chamei

meio curiosa
meio não sei

essa tua escuridão

que tanto me puxa
quanto me põe em fuga.

essa tua lascívia

mistura de hormônio e doçura
enche de saliva minha boca
e compromete minha cura.

investigo teus sintomas

buscando entender
que problema é o teu

mas minha obsessão

é também lucidez
e sei muito bem
que a louca sou eu.


sábado, 14 de janeiro de 2017

negro amor

não quero em vai e vem
teu coração.

esse movimento 
quero na cama

te beijando
e arrastando o colchão.

porque contigo
é puro deleite:
tem saliva e risadas
mostrando os dentes.

mas quando não
deixo-te solto
não aperto botão.

só quero que voltes
dia sim
dia não.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

sobremesa


enquanto tu andas
distraída pela rua
ouvindo música que nem é a tua
caldeirão ferve:
bactérias
surpresas
chuva nas férias

a vida é descontrole, baby

e tu ficas em casa
recuperando corpo e alma
te afogando em água
mas desejando uísque
ou um abraço distante
daquele que disse

não vem cardápio pra vida
tu pede a entrada
e te dão logo a saída

não tem reserva de mesa:
então acha um lugar 
e se te servirem
come a sobremesa.

 

 
 

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

numa piscada
eu tava no chão:

agonizando no asfalto
me refazendo do não.

parada obrigatória da vida
que não brinca em serviço
e te aponta a saída.

engessada
aturdida
meio mocinha
meio bandida.

tanto tempo comigo me obriga
a olhar-me de dentro
em meio às cinzas.

reviro brinquedos
remexo feridas.

cada defeito
é uma pista.