quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

aquela senhora teimosa

mando embora a esperança
essa senhora teimosa
que nunca se cansa.

vazios antigos
vácuos perdidos
que comiam na mão
daquela senhora teimosa

recheio aos poucos
com poesia 
e prosa.

não dá pra esperar
pote de ouro
que é feito de ar.

lá fora há um mundo
vou encontrar
um peito 
onde possa dormir
um abraço 
onde queira morar.

hoje

hoje me hidrato
com água de coco
houve um tempo
era tua saliva
cobrindo meu corpo.

meu cabelo hoje
anda solto
antes mudava as ondas
destino dos loucos.

hoje esqueço
deixo pra lá
feridas antigas
que quero fechar.

hoje
abro novos caminhos
saio da curva
amplio meus ritmos.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

a verdade

nada
ofende mais do que a verdade.

espelho 
escancara a nudez
arranca a vaidade.

saber quem se é
de corpo inteiro
inclusive a maldade.

defeitos
postos na mesa
indigestos
cobertos de pimenta.

realidade
amiga cruel
um dia chega
retira o véu.

dor provisória

clareza perene
se torna leveza
num dia sem sol.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

gurias

tenho dito vida afora
que sou afortunada:
tenho amigas 
que valem muito mais
que loteria acumulada.

aquelas amigas 
que venho colhendo no caminho
que enfeitam minha vida
flores sem espinhos.

amizades que se constroem
de tantinho em tantinho
regadas de cumplicidade
verdades bem postas
e muito carinho.

aquelas amigas
pra começar a semana
com abraço apertado
e pra terminar a noite às gaitadas
por um portão arrebentado.

aquelas amigas
que de mim arrancam lágrimas
por recados deixados
no papel
ou na alma.

aquelas amigas
de uma vida inteira
pra dormir lado a lado
ou conversar a noite inteira.









segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

divã na veia



quantas descobertas

musicais

íntimas

emocionais.



2017 me pôs nua

deixou-me comigo

sozinha

no centro da lua.


2017 me ofereceu um espelho

mostrou-me verdades

tão duras

quanto cruas

isentas de vaidade.


custou-me um ano

começar o processo

de digerir tantos panos.


em 2017 só (brevivi)

tateando nos rastros

nos quais me perdi.


40 anos de cegueira

desvendada no divã

onde deitarei

dias após dia

até ficar sã.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

confidência

na sexta, 
no show da marisa
te vi de longe.

passei bem pertinho
quase ao teu lado
mas como te cabe
estavas (bem?)
acompanhado.

não me perturba
tua impossibilidade
compõe ela este quadro
de platonismo pintado.

às vezes
contudo
te tornas concreto
és pano de fundo
do meu cinema deserto.


invades minha tela
(e por ti morro)
és tu a fantasia
quando minhas mãos
visitam meu corpo.


domingo, 6 de agosto de 2017

lua cheia

passos renovados da rotina
hoje me levam
lua acima.

lua subindo cheia
impele meus suspiros
arrebata minhas teias.

lua que desvenda lentamente
as últimas camadas
da minha semente.

cultivada nas cinzas
de uma esperança perdida.

hoje com a lua
sai broto novinho
curioso pelo sol
despontando de fininho
espiada de olho só.

chamado de vida
que pede um novo amor
nova pele
em verdade esculpida.

um amor novinho em folha
que antes de tudo
me cheira
e me olha.

um amor pro fim da tarde
que termina em silêncio
sem nenhum alarde.

um amor de lua cheia
que antes de me ver nua
me ganha
e me aceita.